Para Bolsonaro, perder para Lula é deixar de ser escolhido de Deus, diz Christian Lynch

Cientista político fala sobre discursos e métodos de populistas reacionários e afirma não ver abalos no favoritismo do petista.

Matéria escrita por Eduardo Sombini, e publicada pelo portal Folha de São Paulo no dia 08 de Outubro de 2022. Confira aqui.

O populismo radical não é um médico que quer curar a doença que a democracia enfrenta, escrevem Christian Lynch e Paulo Henrique Cassimiro, mas um parasita que explora a fraqueza da doente para se multiplicar.

Em “O Populismo Reacionário: Ascensão e Legado do Bolsonarismo” (Contracorrente), os autores dissecam o populismo radical de direita de hoje. Para eles, Donald Trump e Jair Bolsonaro expressam um projeto reacionário que almeja a volta a um passado idealizado —a Idade Média ou, no Brasil, o Império e ou ditadura militar.

O propósito de reverter a decadência profunda que as sociedades estariam vivendo busca ser concretizado por meio de uma cruzada contra “comunistas”, progressistas ou qualquer outro grupo visto como inimigo, por não se submeter ao líder messiânico, do “povo verdadeiro”.

Todos aqueles que não são conservadores são considerados inimigos. Existe a ideia de que nós somos a velha aldeia de boas famílias e, de repente, ela está sitiada pelos inimigos, que cercaram a cidade. Então, é preciso suspender a ordem natural das coisas e atribuir todo o poder a alguém que nos salve. As instituições estão corrompidas. O inimigo externo, sempre identificado como o “comunismo”, tem representantes internos. Nesse caso, você não pode confiar nas instituições –pelo contrário, elas foram capturadas por essa minoria. Esse homem —aí vem o discurso antissistêmico— representa a vontade do povo por aclamação e se comunica diretamente com esse povo. O papel dele é destruir essas instituições

Professor de pensamento político brasileiro na Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), Lynch discute neste episódio o imaginário e os métodos de ação dos populistas reacionários e analisa a conjuntura eleitoral do país.

O pesquisador afirma que Lula permanece o favorito da disputa presidencial e que, embora pareça certo que Bolsonaro vá contestar os resultados das eleições, ele e seus apoiadores têm menos força para instaurar o caos que se costuma imaginar.

Confira o conversa completa aqui.

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