Trechos da entrevista de Eduardo Viveiros de Castro, para o livro “A função social da guerra na sociedade tupinambá”.

Confira alguns trechos exclusivos da entrevista de Eduardo Viveiros de Castro para o livro “A função social da guerra na sociedade tupinambá” de Florestan Fernandes:

“Eu tenho pensado bastante sobre a importância das diferenças étnico-culturais dentro do processo histórico de formação das classes no capitalismo. No Brasil, isso e obvio, com o caso das populações indígenas e africanas escravizadas, que a classe oposta a classe capitalista, do ponto de vista de seus componentes, e maciçamente de outra etnia – e majoritariamente africana ou indígena”.

“Do ponto de vista da classe dominante, frequentemente a classe dominada e vista como outro povo. E outro povo, fala outra língua. Note que as classes dominantes na maior parte do mundo tendem a ser “etnicamente” (fenótipo, língua etc.) homogêneas e de origem alienígena (invasora), mesmo que longínqua, ao passo que as classes dominadas são etnicamente heterogêneas ou “mestiças”.

No Brasil todo mundo é índio, entenda-se, em todos os sentidos. Exceto quem não é, ou seja, exceto aqueles que se identificam radicalmente como não-indígenas, como europeus, como brancos, como louros, como sulinos, enfim”.

“Quando eu digo: no Brasil todo mundo é índio, estou dizendo que existir aqui é resistir, resistir contra um Estado que se instituiu sobre o etnocídio e o genocídio, sobre a escravidão, o massacre, a apropriação brutal da terra, a tortura física e mental dos corpos indígenas e negros”.

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