Celso Furtado, 100 anos: pensamento e ação – por Renata Reis

Em comemoração ao centenário de nascimento, livro reúne 9 autores
e resgata os principais elementos da biografia, do pensamento e das atividades do grande Economista Celso Furtado.

Resenha de Renata Reis, publicada na Revista do Conselho Federal de Economia (COFECON). Edição nº40 – Abril/Junho de 2021.

A solução está em retroceder o olhar. Frente a tamanha crise sanitária, econômica e política,
quando soluções supostamente inovadoras são apresentadas como tábuas de salvação, o presidente do Conselho Federal de Economia, Antonio Corrêa de Lacerda, ressalta a importância do livro “Celso Furtado, 100 anos: pensamento e ação”, publicado recentemente, do qual é organizador e coautor.

O livro sugere um olhar para o passado e para as obras publicadas por Furtado ao longo de sua atividade de Economista, numa tenta tiva de entendimento do subdesenvolvimento brasileiro, e a partir desse entendimento da implementação de soluções para nossas acentuadas vulnerabilidades. A obra certamente merece a atenção dos que estão em busca de uma saída justa, igualitária, sustentável, e quiçá definitiva, para os problemas que vivenciamos há algum tempo no país e que hoje são ainda mais visíveis. O livro teve origem nas atividades desenvolvidas no Programa de Estudos Pós graduados em Economia Política da PUC/SP, Universidade em que Celso Furtado ministrou, em 1975, o curso “Economia do Desenvolvimento”, adaptado de um curso apresentado por ele na Sorbonne.

O livro
Apresentado em seis capítulos, o livro traz inicialmente uma análise do pensamento de Celso Furtado a partir de seis o bras publicadas entre 1959 e 1974. Para os autores, “o conjunto bibliográfico analisado possui uma constância: a procura do entendimento do subdesenvolvimento brasileiro”. E ainda levanta a relação entre esse subdesenvolvimento e a dependência estrangeira nos ciclos econômicos.

No segundo capítulo, são abordados, por Rosa Maria Viera, a planificação, o Estado e as elites no pensamento de Celso Furtado, a partir da busca, nas obras do economista, de nuances do papel do Estado e do planejamento para a supera ção do subdesenvolvimento. O terceiro capítulo, de autoria de Lacerda e de Julio Manoel Pires, versa sobre os dilemas enfrentados pela economia brasileira no período de 2010 a 2018 com base nos escritos de Furtado e uma reflexão crítica sobre as escolhas das políticas econômicas no período.

A discussão sobre o modelo de desenvolvimento do Brasil ganha maior importância num momento em que a economia vive um processo de desindustrialização e reprimarização do setor
produtivo, questões que são abordadas no quarto capítulo, contribuição de Rubens Sawaya. No capítulo seguinte, André Paiva Ramos, Francyelle do Nascimento Santos, David Deccache e Lacerda buscam o pensamento e o método com que Furtado concebia a análise econômica. “No lugar do debate sobre a construção e o aperfeiçoamento de um projeto nacional visando o planejamento social de longo prazo, está colocada uma perspectiva centrada, única e exclusivamente, na eliminação dos obstáculos ao livre funcionamento do mercado”, expressam os autores.

Finalmente, no último capítulo, Lacerda aborda os desafios da economia brasileira no século 21. “A aposta em que a prometida austeridade levaria ao resgate da confiança que pudesse estimular a realização de investimentos e produção não tem dado result ado”, questiona. “O Brasil […] tem todas as pré condições para superar a atual estagnação e atingir um grau de desenvolvimento expressivo. Somos o único país do G 20 a combinar potencial nos macrossetores e de enorme demanda reprimida, em termos de inves timentos, infraestruturas e políticas sociais”.

Sobre o organizador
Antonio Corrêa de Lacerda é presidente do Cofecon desde 2020, cargo para o qual foi reeleito em 2021. Foi presidente da autarquia em 1999, sendo vice presidente em 2019. É doutor pelo Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), professor doutor e diretor da Faculdade de Economia, Administração, Ciências Contábeis e Atuariais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC SP). Lacerda foi economista chefe e diretor de economia de empresas e organizações, e atua como consultor econômico. É articulista assíduo de publicações, comentarista do Jornal da Cultura (TV Cultura) e autor de cerca de 20 livros na sua área de atuação, tendo sido um dos ganhadores do Prêmio Jabuti, na área de economia, no ano 2001, pelo seu livro “Desnacionalização”.

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